De tudo um pouco.

2005-03-01

FOI BONITA A FESTA, PÁ...FIQUEI CONTENTE... 

Fiquei contente com os resultados eleitorais. Tantos a votar BE(M)!

E fiquei contente com a maioria absoluta do PS. Não pela “responsabilidade” da realização do milagre abrupto do desenvolvimento português, de que tantos falam agora, muitos esperançados no malogro e ansiosos por cobrar, alguns mesmo por vingança. Não.

Estou contente porque desta vez a necessidade de consensos com a direita não poder servir de alibi para a não tomada de muitas medidas que, sendo compatíveis com o contexto europeu e internacional, exigem do partido no governo um claro comprometimento com os objectivos da esquerda, ao nível nacional e, quando e onde mais não puder ser, pelo menos com o contributo empenhado para a prevalência desses objectivos nos fóruns internacionais de decisão relevantes, e em primeiro lugar nos europeus.

Trocando em miúdos, não me parece que seja exigível a quem quer que seja, no quadro da acentuada crise generalizada que a globalização vem gerando, que solucione os problemas estruturais do país nos próximos 4 anos.

Mas, para que no termo desta legislatura mereça a confirmação do benefício da dúvida que agora os portugueses lhe concederam, é indispensável que o PS demonstre até lá:
- que não acredita que o bem-estar da maioria passa necessariamente pelo enriquecimento obsceno de alguns poucos,
- que parte do princípio da responsabilidade colectiva pela felicidade e o desenvolvimento de cada indivíduo,
- que valoriza tanto um artista ou um filósofo como um gestor de empresas,
- que sabe que não há desenvolvimento sem saúde, instrução, cultura, e liberdade de informação e de expressão, e que a sociedade tem obrigação de proporcionar a todos estes direitos.

Por fim, terá que ter demonstrado que onde e quando teve oportunidade de pugnar por estas convicções, o fez sem concessões desnecessárias.
|
Arquivo Links Media Blogues

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Recordando Breton
"O mais simples dos actos surrealistas consiste em vir, de revólver em punho, para a rua e atirar ao acaso, tanto quanto for possível, sobre a multidão. Aquele que, ao menos uma vez, não teve vontade de acabar desta maneira com o sistemazinho de envilecimento e cretinização em vigor, tem o seu lugar muito bem reservado nesta multidão, ventre à altura do cano." André Breton